
Recentemente li um livro que me chamou muito a atenção à forma como o autor o introduziu falando de objetos, disse ele, “Ao meu redor está uma infinidades de objetos que me pertencem, alguns me são totalmente indiferentes do ponto de vista afetivo (…) objetos definidos pela utilidade só valem enquanto forem úteis. Quando deixam de ser úteis são trocados por outros mais novos, ou jogados fora. O problema está nas coisas que são possuídas por serem amadas (…) são guardadas por neles morarem memórias” . Imediatamente pensei em Eliz, Alberto, Raquel, as crianças e eu, porque todos nós até janeiro do próximo ano estaremos deixando o nosso país rumo ao campo missionário. Exceto Eliz, os demais já tiveram esta experiência, mas mesmo assim, ainda é um desafio lidar com o doloroso sentimento de perda,costumo dizer que embora os teólogos não cheguem há um acordo sobre o “espinho na carne” de Paulo, eu sei bem qual é o dos missionários, a saudade, ela não nos deixa, quer indo ou voltando, está sempre ali.
Mas, e os objetos? Como mencionado, convivemos sempre com a saudade da família, amigos, igreja, da nossa pátria e associado a isto ainda temos os nossos objetos, a maior parte deles terão que ser deixados, nossa bagagem normalmente tem que ter o peso definido pela companhia aérea e em alguns casos o limite é de vinte quilos. Fazer a mala se torna então uma parte muito aflitiva do processo de envio, o que levar e o que deixar nem sempre é uma decisão fácil, e há objetos que de fato nem utilidade tem, mas, como diz o autor “são guardados por neles morarem memórias”, e ter que desfazer-se deles é o mesmo que desfazer-se de parte de nossas memórias. Enquanto escrevo olho para minha estante com todos os meus livros, para uma placa que recebi de homenagem do pelo trabalho realizado em Timor, um porta-chaves gracioso que me foi dado por um de nossos missionários da Bolívia, um porta-retrato lindo e bem pesadinho que um amigo me trouxe dos EUA, onde lê-se em inglês o versículo de Mateus 4:14 e ainda um vasinho de madeira que o Pr. Ozeas me trouxe de Malawi, certamente esses objetos terão que ser deixados… e confesso, não é tão simples como possa parecer.
Sim eu sei, disse Jesus: “Assim, portanto, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto de mais estimado possui não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:33). Optamos por sermos discípulos, mas, não negamos nossa humanidade e o preço que está envolvido em nossa missão (nem o próprio Deus a nega), todavia acreditamos e já temos constatado com alegria que sempre vale à pena!
Suzi Alves da Silva
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