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Igreja Perseguida 9 – Uzbequistão

Bandeira - UzbequistãoO cristianismo foi difundido na Ásia Central pela Igreja Apostólica do Oriente, mas foi drasticamente atingido pelas campanhas militares de Tamerlão nos séculos XIV e XV. Nos séculos seguintes, o islamismo passou a dominar as áreas conquistadas de forma que o cristianismo seja praticado hoje por menos de 10% da população uzbeque. Antes de 1991 , quando o Uzbequistão se tornou um Estado independente, havia poucos cristãos. A Igreja Russa tinha de funcionar em segredo e a maioria de seus membros não tinha uma visão evangelística, e de compartilhar o evangelho com os uzbeques. Entretanto, no começo daquela década, os uzbeques começaram a buscar ao Senhor. Gradualmente, uma Igreja começou a se formar, com um estilo de culto e evangelismo baseado em sua própria cultura.

No ano de 2007, continuaram as restrições e a perseguição aos cristãos no Uzbequistão. O governo aprovou uma legislação que proíbe, ou restringe muitíssimo, atividades como conversão, importação e disseminação de literatura religiosa e instrução religiosa particular. A lei proíbe ter mais de uma cópia de um livro cristão, até mesmo da Bíblia. As igrejas, para funcionar, têm de obter registro, o que é muito difícil de conseguir. Como há poucas igrejas registradas, muitos cristãos têm de se reunir em casa e em segredo, sob a constante ameaça de prisão por atividade religiosa ilegal. As batidas policiais são comuns e, com freqüência, levam à prisão, ao espancamento e até mesmo à tortura de cristãos, bem como à destruição da literatura cristã e de outros materiais cristãos que tenham. Os cristãos uzbeques, em especial, sofrem pressão para se converter ao islamismo. A mídia promove com regularidade debates contra os cristãos, e isso faz com que aumente a intolerância da sociedade. Foi organizada uma caçada nacional para prender um líder cristão do Karakalpaquistão (na região noroeste do Uzbequistão).

Em março de 2007, o pastor de uma igreja carismática de Andijon foi sentenciado a quatro anos em um campo de trabalhos forçados. Outro cristão protestante foi sentenciado a dois anos de trabalho para o Estado em liberdade condicional, e a pena depois foi reduzida para um ano de condicional e trabalho para o Estado —, e 20% de seu salário foi direcionado para o Estado. Em dezembro de 2007, por ocasião da reeleição do presidente Karimov, ele foi anistiado.

Mais informações:

Dados gerais

Capital Tashkent
Governo República, chefiada pelo presidente Islam Karimov desde 1984
População 27,7 milhões (36,4% urbana)
Área 447.400 km2
Localização Ásia Central
Idiomas Uzbeque, russo e tajique
Religião Islamismo 88%, cristianismo ortodoxos 9%, outros 3%
População cristã 25 mil
Perseguição Opressão severa
Restrições Evangelizar é proibido, e os que se convertem podem ser presos e marginalizados. Os cristãos possuem documentos de identidade diferenciado

O Uzbequistão está localizado na Ásia central, entre o Cazaquistão e o Turcomenistão. O território uzbeque é caracterizado pela presença de desertos arenosos e pontilhados por dunas que circundam vales intensamente irrigados ao longo dos rios Amu Dária, Sir Dária e Zarafshon. A pecuária ocupa quase metade do território do país, que apresenta um clima árido e não possui saída para o mar.

O Uzbequistão possui quase 28 milhões de habitantes, dos quais cerca de um terço tem idade inferior a 15 anos. Houve uma perda recente de dois a três milhões de pessoas que imigraram em busca de trabalho em países vizinhos. No entanto, ele ainda é o país mais populoso da Ásia Central. Entre as principais cidades estão Tashkent, Samarqand e Bukhara, todas com séculos de história. As comunidades rurais, onde vive mais da metade da população uzbeque, são densamente povoadas.

Até o colapso do comunismo na década de 1990, o Uzbequistão era parte da União Soviética. Sua independência foi declarada em 1991 e uma nova Constituição foi promulgada no final de 1992. O texto constitucional, no entanto, tem passado por diversas alterações. O atual sistema de governo é uma república presidencialista baseada em uma legislação derivada do sistema legal soviético, e o país ainda carece de um sistema judiciário independente.

O Uzbequistão era uma das repúblicas mais pobres da antiga União Soviética. Atualmente, ele é o segundo maior exportador de algodão do mundo e fornecedor de gás natural e ouro. Além disso, as indústrias químicas e metalúrgicas do país formam um importante pólo industrial na região. Mas sua situação econômica está se deteriorando rapidamente, uma vez que não foram realizadas as reformas necessárias. Junto a isso, o nível de corrupção e burocracia impede o crescimento econômico e sufoca iniciativas privadas. O controle estrito sobre a agronomia é bem comum e, apesar de declarações sobre reforma agrária e privatização no setor, os fazendeiros não têm autonomia real. Para que haja uma reforma, é necessário que a corrupção seja combatida a partir das esferas mais altas da sociedade.

O Uzbequistão está na rota do narcotráfico, que vai do Afeganistão para o mercado russo e do Leste Europeu. O país luta contra o vício, cada vez maior entre os habitantes.

A sociedade uzbeque lembra o Ocidente em muitos aspectos. O país adotou o calendário gregoriano e não existem mais casamentos arranjados, por exemplo. O índice de analfabetismo é mínimo. O uso da telefonia, televisão e de outros meios de comunicação está crescendo amplamente.

A esmagadora maioria da população é muçulmana. No entanto, muitos uzbeques praticam crenças supersticiosas por debaixo de uma imagem superficialmente islâmica, utilizando amuletos e seguindo tradições animistas. Há um descontentamento cada vez maior no país, o que alimenta o extremismo religioso. O governo, por sua vez, tem adotado uma política de mão-de-ferro, não tolerando grupos religiosos que não tenham sido registrados.

A Igreja

O cristianismo foi difundido na Ásia Central pela Igreja Apostólica do Oriente, mas foi drasticamente atingido pelas campanhas militares de Tamerlão nos séculos XIV e XV. Nos séculos seguintes, o islamismo passou a dominar as áreas conquistadas de forma que o cristianismo seja praticado hoje por menos de 10% da população uzbeque.

Antes de 1991 , quando o Uzbequistão se tornou um Estado independente, havia poucos cristãos. A Igreja Russa tinha de funcionar em segredo e a maioria de seus membros não tinha uma visão evangelística, e de compartilhar o evangelho com os uzbeques. Entretanto, no começo daquela década, os uzbeques começaram a buscar ao Senhor. Gradualmente, uma Igreja começou a se formar, com um estilo de culto e evangelismo baseado em sua própria cultura.

Geralmente o crescimento da Igreja se dá nas famílias. Os parentes percebem a mudança que o evangelho causou em um membro da família e abraçam a fé.

Metade destes cristãos mantém sua identidade religiosa em sigilo e praticamente todos os demais são ortodoxos russos que se mudaram para o país durante o domínio soviético. Muitos destes ortodoxos estão regressando para a Rússia, o que tem provocado o declínio da Igreja no Uzbequistão.

O crescimento da Igreja nativa (formada por convertidos uzbeques) é rápido. O número de pequenos grupos cresce a largos passos.

A perseguição

O controle que o governo exerce sobre a Igreja é forte. Todas as comunidades religiosas têm de se registrar, mas para a Igreja Protestante, esse é um processo longo, cansativo e quase impossível. Geralmente o registro é negado; às vezes, ele é concedido só para ser retirado de novo. Não há igrejas nativas uzbeques com registro (só as estrangeiras o possuem).

O governo não permite nenhum tipo de culto ou religião independente. Além disso, todas as formas de evangelização são proibidas. Líderes cristãos são constantemente vigiados e sofrem freqüentes hostilidades no país.

A importação e impressão de livros no país são estritamente monitoradas e censuradas. As autoridades nacionais e locais confiscam livros cristãos no idioma uzbeque com freqüência. Há altíssimas multas para aqueles envolvidos em distribuição de livros cristãos.

A televisão nacional transmite programas negativos sobre as igrejas. Como resultado, muitas pessoas sofrearam pressões físicas e psicologias na comunidade que vivem.

Em 2006, o pastor pentecostal Dmitry Shestakov, foi condenado a quatro anos de prisão por promover atividades religiosas. Pediu apelo da sentença, mas este lhe foi negado. Foi dito que primeiramente a promotoria tentou acusar o pastor sob o artigo 216-2 do Código Criminal, que pune “violação da lei de organizações religiosas” com prisões de até três anos. Entretanto, a polícia secreta do Serviço de Segurança nacional ordenou que Dmitry fosse acusado de traição, uma ofensa mais séria.
“A polícia secreta estava particularmente irritada porque Dmitry estava pregando entre o povo uzbeque”, disse um cristão. “Parece que eles estão se preparando para fazer do julgamento de Dmitry um aviso para os outros.”

O caso do pastor Dmitry Shestakov é único no que diz respeito à perseguição de minorias religiosas na história recente do Uzbequistão. Quando as autoridades querem punir fiéis religiosos por sua atividade, elas geralmente abrem processos sob “violação da lei de organizações religiosas”, ou “violação de procedimento no ensino religioso”. A pena máxima para quem infringe esses artigos é de 15 dias de prisão, embora normalmente os religiosos sejam multados, em vez de irem para a cadeia.

No dia 7 de maio de 2007, Dmitry foi transferido da prisão de Andijan para um campo de trabalhos forçados em Pskent. Lá ele passou duas semanas em uma solitária por ter supostamente “violado regras internas”. No dia 25 de maio, ele foi transferido novamente, desta vez para uma prisão em Navoi. Esta cidade fica bem longe de Andijan. As autoridades alegaram que a mudança aconteceu por causa de suposto mal comportamento. Os dias para a família de Dmitry não têm sido fáceis. Eles não sabem em qual prisão ele está. Enquanto isso, diversos membros da igreja do pastor estão sendo investigados e punidos.

“Quando Dmitry foi preso eu estava com medo”, disse Marina, sua esposa. “Tive medo, não por mim e pelas minhas filhas, mas por meu marido. As crianças ainda não sabem expressar o sofrimento em lágrimas, sofrem por dentro. Eu disse que o pai não era culpado. Expliquei que sempre trabalhamos pela salvação do povo uzbeque e que esse era o preço a pagar”, disse ela.

Motivos de Oração

1. O governo controla a Igreja por meio da polícia secreta, solicitando o registro das congregações. Ore para que esse controle se suavize e para que a Igreja tenha mais liberdade e segurança para se reunir.

2. Os líderes uzbeques que são evangelistas ativos geralmente recebem “convites” da polícia para serem interrogados. Ore pela segurança desses líderes, e também para que eles perseverem na fé me Cristo.

3. A importação e a impressão de livros cristãos são atividades proibidas no país, mas a Igreja tem muita necessidade desse recurso. Ore para que haja abertura para a produção de material no país, e por maneiras criativas de suprir a Igreja enquanto houver opressão.

4. Louve a Deus pelo crescimento da Igreja uzbeque. Agradeça ao Senhor pelos líderes que se arriscam a sua vida pela expansão do Reino de Deus. Ore pelo crescimento na fé dos novos convertidos.

Fontes – da imagem: www.bandeira1.com.br

– 2007 Report on International Religious Freedom (http://www.state.gov/g/drl/rls/irf/2007/)

– CIA Factbook 2008 (https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/)

– Países@ (http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php)

– Open Doors International

Atualizado em 17/04/2008

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