Contatos

Acompanhe o trabalho da AMME pela evangelização, apoie essa grande obra.

Para contato por e-mail com o portal da evangelização escreva para: portal@evangelizabrasil.com

Para contato telefônico com a AMME Evangelizar e Salva Vidas prefira ligar para (11) 4428 3222.

Atenção: Novo endereço do escritório da AMME - Avenida Itamarati, 192 - Vila Curuçá, Santo André - SP, 09290-730

Facebook: Curta a página da AMME no Facebook [clique]

Ofertas

A AMME evangelizar é sustentada biblicamente, pelas ofertas daqueles a quem serve (Gl 6:6).

Doe agora (pagseguro), faça sua oferta , com segurança e facilidade. Clique no botão ‘Doar’ e siga as instruções.

 

Deposite sua oferta para AMME no Banco do Brasil Agência: 1557-1 Conta: 115278-5

Para ofertas mensais solicite boletos por telefone: (11) 4428 3222, e-mail: portal@evangelizabrasil.com

Para ofertas em material, equipamento e serviço consulte as especificações pelo telefone (11) 4428 3222

Eu vi a luz

Esse texto é um testemunho pessoal que será publicado na reedição do livro Konkombas, de Ronaldo Lidório, no capítulo que será dedicado a testemunhos. É a história contada pela ótica de quem a experimentou. É empolgante e encorajador.

“Antes de sermos cristãos, nós adorávamos um fetiche chamado babasu, que se localiza na aldeia de Sibru. Meu pai era feiticeiro grumadii, mas eu estava à procura de algo novo.

Nós críamos que ele poderia curar ou ajudar aqueles que se devotavam a ele. Apesar de grumadii ser o fetiche invocado em Koni, em minha mente babasu era merecedor de devoção, pois havia ouvido inúmeras histórias sobre seu poder.

Certo dia, viajei até Sibru para trabalhar nos campos de inhame do feiticeiro local, e ali permaneci até o dia do sacrifício.  Há vários tipos de sacrifícios, mas naquela manhã ele sacrificaria galinhas. Elas eram mortas com uma pancada na cabeça e todos observavam atentamente a forma como cairiam no chão, finalmente imóveis. Se elas caíssem com as pernas para cima significa que o espírito havia rejeitado o sacrifício. Com as pernas para baixo  havia sido aceito.

Neste dia, o sacrifício foi aceito e o sangue foi derramado, cuidadosa e lentamente, sobre um altar de pedra, uma espécie de mesa de pedra negra. A cor escura, eu cria, era devido ao sangue que ali era derramado constantemente. Após a cerimônia o feiticeiro local deu-me uma castanha como sinal de que o sacrifício havia sido aceito e, conseqüentemente, o espírito levaria em consideração meu pedido, que era de proteção contra a morte, também prosperidade.

Quando retornei a Koni, continuei a servir babasu participando de sacrifícios e cerimônias e fiz o nome de babasu bem conhecido em nossa aldeia. De certa forma, eu seguia os passos de meu pai, que trouxe a adoração a grumadii para aquela região. Também comecei a beber bastante. Lembro-me, inclusive, que estava um pouco bêbado quando o homem branco chegou pela primeira vez em nossa aldeia. Crianças corriam e choravam e todos estávamos curiosos para ver a ‘banana descascada’, como  o chamávamos.

Nos meses que se passaram, porém, o homem branco não nos deixou. Víamos que ele sofria por não saber nossa língua e parecia sempre muito cansado. Ele, entretanto, aprendeu nossa língua em alguns meses e, certo dia, sentados embaixo de uma castanheira, ele começou a nos falar sobre Uwumbor, um deus antigo e criador, mas que críamos estivesse perdido. Lembro-me de meus questionamentos: se Uwumbor é Deus mais poderoso que os espíritos, por que não se manifesta como fazem os espíritos? Por outro lado eu pensava: se Uwumbor for Deus, criador e mais poderoso, talvez seja quem nós procuramos. Era sabido por cada um de nós que grumadii e babasu, entre outros espíritos, não nos amavam. Algo, porém, nos fazia vacilar: como um estrangeiro nos ensinaria sobre o nosso próprio Deus ? Não parecia ser algo para nós. Os feiticeiros começaram a acusá-lo de ser mentiroso e enganador. Também de perigoso ao utilizar, de forma errada, nossas histórias antigas. Curiosamente o vice-chefe da aldeia, do clã Binaliib, guardador de fetiches, protegia o homem branco. O vice-chefe era homem conhecido por sua paciência e sabedoria, enquanto o chefe e seus filhos eram afoitos e guerreiros. A simpatia do vice-chefe nos fez pensar que talvez houvesse alguma verdade em suas palavras. Certo dia, o homem branco viajou e disse que voltaria. Pensávamos que ele não regressaria, pois nossa região era muito distante, cortada por muitos riachos e planícies até chegar à terra dos Dabomgas, de onde ele poderia ir para algum outro lugar. Mas, ele regressou e trouxe sua esposa, que sorria muito. Pareciam estar gostando do lugar e de nosso povo. Por que estariam ali? Pensávamos assim: será que foram expulsos de seu povo e precisam de um lugar para ficar? Alguns sentiam pena deles, especialmente quando chegava a noite e víamos que não conseguiam dormir muito bem. Sempre diziam que estava quente, mesmo no inverno! Dormiam no pátio da casa do vice-chefe. Lá havia muita gente e não tinha muito espaço, mas ninguém mais os queria receber. O vice-chefe, porém, parecia gostar deles. Quando eles falavam nossa língua, todos queriam correr para escutá-los. Falavam engraçado e nós ríamos muito.

Um dia eles compraram um cabrito e prepararam alimento para várias pessoas. Convidaram os feiticeiros para o banquete. Todos na aldeia estavam curiosos para saber o que aconteceria. Treze feiticeiros compareceram, inclusive meu pai. A comida parecia boa e todos gostavam da forma como os brancos os alimentavam e lhes serviam água nas cabaças, se aproximando dos anciãos de cócoras e com respeito. Mas, ao fim, eles pediram permissão para lhes falar que tinham em mãos algo que lhes explicavam exatamente quem era Deus. Um livro que era a história de Deus. Todos ficaram muito encantados e prestamos atenção como este livro nos ensinava como as coisas haviam sido criadas. Algumas coisas eram parecidas com nossas histórias, outras meio diferentes, mas com muitos detalhes. 

Ao fim, porém, houve um grande tumulto quando eles falaram que este Deus (Uwumbor), que criou a todos, não estava distante. Estava ali conosco, em Koni, nos observando, e triste porque adorávamos aos espíritos como se fossem Deus. Vários feiticeiros gritaram desafiando-os se Uwumbor era maior que seus espíritos. Alguns foram embora e outros permaneceram ouvindo. Gostávamos dos brancos, mas o que falavam era difícil de ouvir. No fundo, acho que todos sabíamos que os espíritos que adorávamos eram maus e maliciosos. Na verdade, sabíamos. Talvez nossa reação fosse por temor. E alguns pensaram assim: como estes brancos nos falam sobre nossos espíritos?  Temíamos que nossos espíritos estivessem nos observando e que seríamos punidos se não os defendêssemos. Assim, alguns gritaram com raiva dos brancos, mas de fato não estavam com raiva. Era apenas para que os espíritos não os punissem. Uwumbor, por outro lado, segundo os brancos, não precisava de defesa. Era algo curioso que me deixou muito pensativo. Fui para a roça sozinho no dia seguinte

Certo dia, alguma coisa em minha mente passou a me dizer que suas palavras eram verdadeiras, e isto me levou a desejar ouvi-lo ainda mais. Alguns falavam em matá-los, especialmente através de algum veneno conhecido. Seria fácil matá-lo, pois eles comiam nossa comida e tomavam da nossa água. Moravam, porém, com a família do vice-chefe, que era conhecido como um homem bom e possivelmente não apoiaria o envenenamento. Mas, acho que ninguém jamais conversou com o vice-chefe sobre isto. Mas, eu não conseguia parar de pensar no que ele falava e fiquei pensando que,  se Uwumbor realmente nos criou, talvez não estivesse tão longe. 

Certo dia, eu o ouvi pregar no meio da aldeia, enquanto as pessoas passavam, sobre o poder de Deus, o tema favorito do homem branco nos primeiros meses. Já que ele estava vivo mesmo falando tão mal dos espíritos talvez os espíritos não fossem tão fortes assim como pensávamos. Mas, naquele dia, ele nos falou sobre a salvação em Jesus Cristo e nos explicou a cruz. Foi diferente imaginar este Jesus, filho de Deus, e Deus feito gente, naquela cruz. Por que não fugiu? Eu ficava pensando. Era a época do inhame puná, um ano após a grande chuva.

Não posso explicar muito bem o que aconteceu nem o momento exato em que passei a crer em Deus, mas em um certo momento eu vi a luz de Jesus perto de mim, e um  sentimento de liberdade tomou conta de mim. Daquele dia em diante eu passei a contar minha experiência com Cristo com uma música.

‘Antes eu não sabia onde estava Jesus,
e eu procurava por caminhos de salvação.
Quando eu vi Jesus eu vi a luz’.

Muitas coisas aconteceram comigo depois, mas algo que ficou marcado foi que, de alguma forma, Jesus parecia ser parte do nosso povo. Algo escondido que sempre procurávamos. Quando fui a procura de babasu, no fundo quem eu procurava era Jesus. Quando outros vão atrás de babasu, na verdade procuram Jesus.

Daquele dia em diante, quando alguém me perguntava sobre Jesus eu alegremente respondia: quando eu  vi Jesus, vi a luz.”

Ronaldo Lidório
E-mail: ronaldo.lidorio@terra.com.br

Site: www.ronaldo.lidorio.com.br

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>